sábado, 15 de novembro de 2025

Blackthorn & Grim — Uma trilogia que mistura mistério, magia e cura interior

A trilogia Blackthorn & Grim, de Juliet Marillier compota pelos livros “O Lago dos Sonhos”, “A Torre de Espinho”s e “O Covil dos Lobos”, conquistou-me pela forma como combina fantasia histórica, mistério e uma profunda jornada emocional. Foi esta autora que me abriu as portas para a leitura fantástica, e esta trilogia só confirmou as razões pelas quais gosto de a ler: personagens complexas, ambientes cheios de atmosfera e histórias que vão muito além do que aparentam.

Blackthorn é uma curandeira marcada por um passado brutal que conquista a liberdade graças a um pacto com um ser feérico, mas com uma condição difícil: durante sete anos deve ajudar quem pedir a sua ajuda, deixando de lado, durante esse tempo, o desejo de vingança. Ao seu lado, Grim, um homem aparentemente simples, mas que carrega feridas tão profundas como as dela é o seu amigo companheiro de viagem. A relação entre ambos, lenta, humana, feita de confiança, silêncios e pequenos gestos, é um dos grandes encantos da trilogia.

Cada livro apresenta um mistério central — um lago que guarda segredos, uma torre envolta em lamentos, uma casa no Vale dos Lobos onde nada é o que parece — e, ao mesmo tempo, aprofunda a luta interior das personagens. A fantasia é subtil, ligada ao feérico e ao folclore celta, enquanto o foco principal está no crescimento, na cura e na forma como o passado molda, mas não define, cada um dos protagonistas.

Marillier escreve com uma sensibilidade rara, equilibrando o mágico e o humano, e mostrando que a verdadeira jornada dos protagonistas é aprender a viver consigo próprios, a confiar novamente e a encontrar a paz.

Recomendo esta trilogia a quem aprecia fantasia com profundidade psicológica, mistérios bem construídos e personagens adultas que se reinventam ao longo da narrativa. Para mim, foi uma leitura envolvente e tocante.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

" O Segredo da Criada", de Freida McFadden

Segredo da Criada de Freida McFadden retoma a vida de Millie cinco anos após os acontecimentos de A Criada. Para pagar os seus estudos para se tornar assistente social e em busca de estabilidade, Millie aceita trabalhar na luxuosa penthouse de Douglas Garrick, um homem que aparenta ser um marido dedicado a uma esposa gravemente doente, que nunca sai do quarto. A única regra é clara: jamais entrar naquele espaço.

Com o passar dos dias, os comportamentos estranhos da família despertam a desconfiança de Millie. Ao tentar salvar Wendy, a esposa de Douglas, a corajosa e destemida Millie vê-se envolvida num plano de vingança e assassinato cuidadosamente arquitetado.

Entre segredos, traições e identidades ocultas, a narrativa conduz o leitor por uma teia de suspense e reviravoltas até um final inesperado.

"A Criada" de Freida McFadden

A Criada, de Freida McFadden, é um thriller psicológico que mergulha no universo de Millie, uma ex-reclusa determinada a recomeçar a vida. Ao aceitar o emprego de criada numa imponente mansão de uma família abastada de Nova Iorque, acredita ter encontrado uma nova oportunidade. Contudo, rapidamente percebe que atrás das portas elegantes escondem-se segredos perturbadores, capazes de colocar a sua segurança em risco.

A narrativa, dividida em três partes, alterna entre as vozes de Millie e Nina, conduzindo o leitor por um labirinto de manipulação psicológica, jogos de poder e reviravoltas inesperadas. À medida que a tensão cresce, Millie vê-se obrigada a tomar decisões cada vez mais perigosas, que podem ditar o rumo da sua liberdade e da sua vida.

Só no desfecho da trama todas as peças se encaixam, mantendo o suspense até à última página e garantindo que o leitor não consegue largar o livro.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

"A Qualquer Momento" de Liane Miorarty

O voo começa como tantos outros: atrasado, mas seguro. A bordo, um mosaico de vidas e histórias — uma hospedeira de bordo que celebra o seu aniversário, um jovem ainda marcado pelo funeral de um amigo, recém-casados em lua-de-mel, uma mãe com dois filhos pequenos, um pai inquieto e uma enfermeira a pensar na reforma.

Tudo parece seguir o curso normal… até que uma mulher enigmática se levanta e, com uma calma perturbadora, anuncia a cada passageiro a data e a forma como irá morrer.

Alguns riem, outros tentam esquecer. Mas quando a primeira previsão se concretiza com assustadora precisão, instala-se a pergunta inevitável: é possível mudar o destino?

A narrativa alterna entre diferentes pontos de vista — da vidente, conhecida como Cherry, aos passageiros apanhados na teia das suas palavras — revelando dilemas, medos e escolhas que os obrigam a confrontar o que mais temem. Entre o livre-arbítrio e o destino, a história conduz-nos a uma reflexão inquietante: saber o fim muda a forma como vivemos o presente?

Nos livros desta autora australiana e gosto da sua abordagem ora mística, ora filosófica, sempre com um toque de suspense que prende até à última página.

domingo, 13 de julho de 2025

"Crime na Quinta das Lágrimas" de Lourenço Seruya

Alice e Diogo escolhem a Quinta das Lágrimas para o casamento, mas o que prometia ser um dia feliz transforma-se em tragédia. Na manhã da cerimónia, a noiva desaparece e é encontrada morta no jardim, em circunstâncias macabras.

A Polícia Judiciária conclui que o assassino está entre os hóspedes, mas as mentiras e suspeitas multiplicam-se.

Quando as peças do puzzle começam a encaixar, torna-se claro que o assassino planeia voltar a matar — e mais alguém não sairá vivo da Quinta.

domingo, 25 de maio de 2025

"Como Amar uma Filha" de Hila Blum

 
O romance "Como Amar Uma Filha", da autora israelense Hila Blum, vencedor do Prémio Sapir em 2021, explora as complexidades da relação entre mãe e filha.
Trata-se da história de Yoela, uma mulher que já não tem qualquer contacto com a filha adulta, Lea, apesar de uma ligação intensa, marcada por um amor avassalador, desde o seu nascimento.
A única perspectiva que nos é dada a conhecer é a de Yoela, a mãe de Lea, narradora desta história não linear e por vezes confusa, que nos vai introduzindo no seu cotidiano familiar, desde o nascimento da filha aos dias de hoje, com retrospetivas da sua própria infância, como se estivesse à procura de uma explicação para o afastamento da filha.
A verdade é que eu não consegui entender o que levou à rutura entre mãe e filha, pois o contraste entre a forte proximidade entre ambas quando Lea era criança e jovem e o afastamento quando esta atinge a dade adulta é tão incompreensível para o leitor como para a narradora.
De facto, é difícil definir um evento que tenha originado o rompimento, pelo que parece ter sido uma sucessão de pequenas falhas que corroeram a relação ao longo do tempo.
Impulsionada por um amor obsessivo e um sentimento de perda, Yoela investiga e descobre que Lea vive na Holanda, que é casada e tem duas filhas que acompanha através das redes sociais, chegando ao ponto de espiar a família da filha à distância, espreitando através de uma janela para o interior de uma moradia, nos subúrbios de uma cidade holandesa, vendo as netas pela primeira vez.
"Como Amar Uma Filha" é uma leitura um pouco melancólica, comovente, e um pouco perturbadora, que convida à reflexão sobre os laços familiares, os erros silenciosos e a fragilidade dos afetos.

domingo, 27 de abril de 2025

“Gente ansiosa" de Fredrik Backman

Gente Ansiosa, de Fredrik Backman, é um romance tragicómico que gira à volta de um assalto a um banco fracassado que resulta numa insólita situação de reféns durante a visita a um apartamento que está à venda, na véspera de Ano Novo. O grupo de reféns é formado por pessoas completamente diferentes: um casal de reformados que tenta reformar casas (e talvez o próprio casamento), um casal de lésbicas prestes a ter o primeiro filho, uma idosa destemida, uma agente imobiliária nervosa, um homem misterioso trancado na casa de banho e uma analista bancária marcada pela culpa de uma tragédia do passado.

À medida que a polícia (um duo de pai e filho) tenta resolver o caso, os reféns revelam segredos, mágoas e ansiedades profundas. Cada personagem carrega as suas próprias dores e busca, de alguma forma, um resgate, não apenas físico, mas emocional. O livro alterna entre momentos de humor, ternura e reflexão, abordando temas como culpa, perdão, esperança e as dificuldades de ser adulto, mostrando que todos, à sua maneira, são “gente ansiosa”.

No final, percebemos que o verdadeiro enredo de "Gente Ansiosa" não é um crime, mas as conexões humanas, a empatia e a busca de um sentido, no meio do caos da vida moderna.

Como leitora, este livro deixou-me com um sentimento de calorosa esperança na humanidade.