Lucy sempre desejou ter uma relação próxima com a sua sogra,
Diana, uma mulher educada, elegante, generosa e muito respeitada, mas também
fria e difícil de decifrar. Lucy sente constantemente que não corresponde às
expectativas daquela mulher e passa anos a tentar conquistar uma aprovação que
parece nunca chegar.
Quando Diana é encontrada morta, tudo indica suicídio. Junto ao corpo é encontrada uma carta na qual afirma não querer
continuar a viver devido a um cancro. No entanto, a autópsia revela algo
inesperado: não há qualquer sinal da doença e existem indícios de envenenamento
e asfixia. A hipótese de homicídio ganha força e, de repente, todos os membros
da família parecem ter alguma coisa a esconder.
Sally Hepworth constrói a narrativa alternando entre o
presente e diferentes momentos do passado, sobretudo através das perspetivas de
Lucy e Diana. Esta estrutura revela-se particularmente eficaz, pois permite-nos
reconstruir, aos poucos, uma relação que, à primeira vista, parece bastante
simples: uma sogra que não gosta da nora e uma nora desesperada por ser aceite.
À medida que conhecemos melhor Diana, percebemos que a sua
aparente frieza pode esconder inseguranças, experiências dolorosas e uma forma
muito particular de demonstrar afeto. A personagem torna-se, assim, mais
complexa do que inicialmente poderíamos imaginar, levando-nos a questionar as
primeiras impressões que temos dela.
A investigação da morte de Diana está sempre presente, mas o
verdadeiro interesse do livro está nas relações entre as personagens e na
descoberta do que realmente aconteceu nos anos que antecederam a sua morte.
Entre segredos familiares, ressentimentos antigos e diferentes versões dos
mesmos acontecimentos, A Sogra mostra como, por vezes, as relações mais
próximas podem esconder verdades que ninguém está preparado para enfrentar.

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